Clarice Lispector: “Amar não acaba, escrever pode falhar”
Por que a escrita assusta Clarice Lispector mais que a morte? “Pode me trair e abandonar“. Mas o amor? “Não acaba até morrer“.
Segunda parte da série Clarice na Cabeceira, da Rocco: a escritora mais íntima do Brasil confronta o que é eterno versus o que falha. Tempo curto, urgência máxima, quer ter sentido para viver antes que tudo acabe?
Como Clarice nos ensina a equilibrar criação e salvação nesse texto, leia. Leitura essencial para escritores e amantes da vida.

Trecho de quando Clarice compara escrita e amor eterno
Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é o meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar.
Em escrever eu não tenho nenhuma garantia. Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba.
É como se o mundo estivesse à minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera. Espero em Deus não viver do passado.
Ter sempre o tempo presente e, mesmo ilusório, ter algo no futuro. O tempo corre, o tempo é curto: preciso me apressar, mas ao mesmo tempo viver como se esta minha vida fosse eterna.
Trecho de “Clarice na Cabeceira: Crônicas” (Rocco Editora). Compre o livro completo na Amazon.
🌐 Série Clarice Lispector:
- Post 1: As 3 vocações da vida
- Post 3 (em breve): Medo da morte e reencarnação

