Clarice Lispector: Medo da morte e desejo de reencarnação
“Morrerá segurando uma mão” ou sozinho na escuridão? Clarice Lispector expõe o medo que ninguém confessa: a morte sem aviso, a reencarnação sem sinal.
Final épico da série Clarice na Cabeceira (Rocco): “Uma das coisas mais solitárias é não ter premonição”. A maior escritora brasileira sobre o fim – e o renascer. Reflexão que muda como você encara o amanhã.
Já sentiu falta de um “sinal” na vida? Quer um empurrão que você não encontrava há tempos? Esta é a crônica mais humana de Clarice.

Clarice Lispector sobre a morte
E depois morrer vai ser o final de alguma coisa fulgurante: morrer será um dos atos mais importantes da minha vida. Eu tenho medo de morrer: não sei que nebulosas e vias lácteas me esperam.
Quero morrer dando ênfase à vida e à morte. Só peço uma coisa: na hora de morrer eu queria ter uma pessoa amada por mim ao meu lado para me segurar a mão. Então não terei medo, e estarei acompanhada quando atravessar a grande passagem.
Eu queria que houvesse encarnação: que eu renascesse depois de morta e desse a minha alma viva para uma pessoa nova. Eu queria, no entanto, um aviso. Se é verdade que existe uma reencarnação, a vida que levo agora não é propriamente minha: uma alma me foi dada ao corpo. Eu quero renascer sempre.
E na próxima encarnação vou ler meus livros como uma leitora comum e interessada, e não saberei que nesta encarnação fui eu que os escrevi. Está-me faltando um aviso, um sinal.
Virá como intuição? Virá ao abrir um livro? Virá esse sinal quando eu estiver ouvindo música? Uma das coisas mais solitárias que eu conheço é não ter a premonição.
Trecho final de “Clarice na Cabeceira: Crônicas” (Rocco Editora). Compre o livro completo na Amazon.
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