O que é leitor sintópico? (do livro Como Ler Livros)
Leitor sintópico é aquele que lê vários livros sobre o mesmo assunto ao mesmo tempo, comparando os autores entre si para construir uma visão própria sobre o tema.
O termo vem do livro Como Ler Livros, de Mortimer J. Adler, e nomeia o quarto e mais avançado nível de leitura descrito por ele.
Parece complicado, mas é mais simples (e mais comum) do que parece. Se você já pesquisou um assunto lendo vários artigos ou livros diferentes sobre ele, já chegou perto de ser um leitor sintópico sem saber o nome disso.
Vamos entender direito o que esse conceito significa e como praticá-lo.
O que é leitura sintópica, afinal
A leitura sintópica é diferente de todos os outros níveis de leitura do livro de Adler porque ela não é sobre um livro. Ela é sobre um assunto.

Em vez de ler um único autor do início ao fim, o leitor sintópico monta uma pequena biblioteca sobre um tema específico e lê essas obras em conjunto, prestando atenção onde elas se encontram e onde elas se afastam.
Na prática:
É o que acontece quando alguém quer entender profundamente um assunto – digamos, liberdade, ou educação, ou amor – e para isso, lê o que Platão, Aristóteles, C.S. Lewis e outros autores já escreveram sobre esse tema, comparando as ideias de cada um.
As características do leitor sintópico
Algumas coisas separam o leitor sintópico de alguém que apenas “leu muito”:
- Ele lê com um problema em mente, não com um livro em mente. A pergunta vem antes da leitura, e é ela que guia quais livros vale a pena consultar.
- Ele não segue a ordem ou o vocabulário de nenhum autor específico. Em vez disso, cria seus próprios termos e organiza a discussão à sua maneira, traduzindo cada autor para essa estrutura comum.
- Ele constrói uma espécie de diálogo entre os autores, mesmo que eles nunca tenham se lido ou se conhecido.
- Ele não busca “a resposta certa” de um único livro. Ele busca entender as diferentes posições possíveis sobre a questão.

Esse último ponto é o que mais separa esse nível dos anteriores. Até a leitura analítica ainda gira em torno de entender e julgar um autor.
A leitura sintópica olha para o assunto de cima, com vários autores na mesa ao mesmo tempo.
Como praticar a leitura sintópica
Adler descreve algumas etapas que ajudam a organizar esse tipo de leitura na prática. Elas não precisam ser seguidas à risca, mas dão uma boa direção de por onde começar:
- Monte uma bibliografia inicial sobre o tema. Não precisa ser perfeita, só um ponto de partida com livros e textos que parecem relevantes.
- Faça uma leitura inspecional de cada item dessa lista, só para identificar quais realmente valem uma leitura mais profunda sobre o assunto que você quer entender.
- Crie um vocabulário comum. Cada autor usa palavras diferentes para falar de coisas parecidas. Parte do trabalho é “traduzir” esses termos para uma linguagem que sirva para comparar todos eles.
- Formule as questões centrais que você quer que os autores respondam, e veja como cada um deles se posiciona diante dessas perguntas, mesmo que nunca as tenham formulado exatamente assim.
- Organize a discussão. Coloque os autores “em diálogo”, destacando onde concordam, onde discordam e por quê.
Na prática: é exatamente esse processo que um pesquisador faz ao escrever a revisão bibliográfica de um artigo acadêmico.

Mas ele também serve fora da vida acadêmica, para qualquer pessoa que queira formar uma opinião bem embasada sobre um assunto.
Leitor sintópico x leitor analítico: qual a diferença
É fácil confundir os dois, então vale marcar a diferença:
- O leitor analítico mergulha fundo em um livro, entendendo os argumentos daquele autor específico e avaliando aquela obra por si só.
- O leitor sintópico usa a leitura analítica como ferramenta, mas o objetivo dele está um degrau acima: entender um assunto, usando vários livros como material de apoio, sem se prender à agenda de nenhum autor isoladamente.
Ou seja: não dá pra ser um bom leitor sintópico sem já saber fazer leitura analítica. Um nível depende do outro.
Por que a leitura sintópica é considerada o nível mais difícil
Dos quatro níveis de leitura descritos no livro Como Ler Livros, a leitura sintópica é apontada como a mais exigente, por alguns motivos:
- Exige tempo, já que envolve mais de um livro sobre o mesmo tema.
- Exige que o leitor já domine bem a leitura analítica antes de tentar comparar autores diferentes.
- Exige organização, porque é fácil se perder entre tantas ideias e pontos de vista diferentes.
Por isso, não é um nível que a maioria das pessoas pratica no dia a dia.
Mas é justamente esse tipo de leitura que sustenta pesquisas, monografias, teses e qualquer trabalho sério que precise comparar diferentes vozes sobre um mesmo assunto.

Perguntas frequentes sobre o leitor sintópico
O que é leitor sintópico?
É o leitor que compara vários livros ou autores sobre o mesmo tema. Em vez de se limitar a uma única obra, construindo uma visão própria a partir dessa comparação.
Leitor sintópico é o mesmo que revisão bibliográfica?
São bem parecidos. A revisão bibliográfica acadêmica é, na prática, uma aplicação da leitura sintópica descrita por Adler, mas o conceito serve para qualquer pesquisa fora da universidade também.
Preciso ser um leitor analítico antes de tentar a leitura sintópica?
Sim. Adler considera a leitura sintópica o nível mais avançado justamente porque ela depende das habilidades desenvolvidas na leitura analítica para funcionar bem.
A leitura sintópica serve só para livros acadêmicos ou científicos?
Não. Ela pode ser aplicada a qualquer assunto que tenha mais de uma obra ou autor discutindo sobre ele, incluindo temas do cotidiano, ficção e ensaios.
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Entender o que é leitor sintópico ajuda a enxergar a leitura de um jeito bem diferente: menos sobre terminar livros, e mais sobre construir entendimento real de um assunto.
Se você ainda não passou pelos outros níveis, vale conhecer os 4 níveis de leitura de Como Ler Livros antes de tentar chegar até aqui. Gostoso demais o assunto, não é?


1 Response
[…] tem uma coisa que tinha certeza, era de que o clássico Como Ler Livros, do Mortimer J. Adler, deveria estar […]