Quem foi Fernando Pessoa? Biografia, obras e heterônimos

Fernando Pessoa foi um poeta, escritor e pensador português, nascido em Lisboa em 1888. É considerado um dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa e um dos poetas mais importantes do século XX.

Ele ficou famoso por criar heterônimos. Mas ainsa que você não o conheça por Fernando, certeza de que se você é leitor que ama poemas, se deparou com um textinho bem profundo do querido.

Eram autores inventados, com biografia, estilo e visão de mundo próprios. Em vida, publicou pouco. Depois da morte, deixou uma arca com milhares de textos, que ainda hoje são estudados.

Você vai conhecer a infância, a formação, as obras, os prêmios, livros, trechos e reconhecemos que, tudo bem pouco comparado ao grande homem que esse homem foi/é.

Quem foi Fernando Pessoa?

Pessoa foi poeta, prosador, ensaísta, tradutor e crítico. Escreveu em português, inglês e francês. Em vida, quase ninguém sabia quem ele era.

Trabalhava em escritórios, vivia de traduções e escrevia à noite, em cafés e em casa. Quem o lê, percebe que há uma ideia de que o amamos mais do que o próprio em suas realidades.

Só depois da morte descobriram uma arca com milhares de papéis – infelizmente. Ali estava uma das obras mais ricas da língua portuguesa. Hoje ele é lido no mundo todo e muitas vezes comparado a Camões.

Um pouco sobre a infância de Fernando Pessoa

O pai, Joaquim de Seabra Pessoa, era funcionário público e crítico musical. A mãe, Maria Madalena Pinheiro Nogueira, era de uma família dos Açores.

O pai morreu de tuberculose em 1893, quando Fernando tinha cinco anos. No ano seguinte, morreu também o irmão Jorge, ainda bebê.

Em 1895, a mãe se casou de novo, com o cônsul de Portugal em Durban, na África do Sul. A família se mudou para lá em 1896.

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Foi lá que Pessoa aprendeu inglês de verdade. E foi lá, aos seis anos, que ele inventou um amigo imaginário chamado Chevalier de Pas. Para muitos estudiosos, esse foi o primeiro heterônimo.

Onde Fernando Pessoa estudou?

Em Durban, estudou na Durban High School e fez cursos comerciais. Era um aluno brilhante e leitor voraz de autores ingleses.

Em 1904, ganhou o Queen Victoria Memorial Prize, prêmio de melhor ensaio em inglês entre os candidatos da Universidade do Cabo.

Em 1905, voltou sozinho a Lisboa. Entrou no Curso Superior de Letras, mas saiu em 1907. Daí em diante, foi autodidata.

Passava horas na Biblioteca Nacional, lendo filosofia, literatura, história, astrologia e ocultismo. No Livro do Desassossego, acompanhamos quase como um pedaço da sua alma em breves dias de sua rotina.

O que são heterônimos e quais eram os de Fernando Pessoa?

Heterônimo não é pseudônimo. Pseudônimo é só um nome falso. Heterônimo é um autor completo, com data de nascimento, profissão, ideias e jeito de escrever.

Pessoa chamava isso de “drama em gente”. Em vez de escrever uma peça com personagens, ele escrevia a obra inteira de cada personagem.

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Em carta de 1935 ao escritor Adolfo Casais Monteiro, ele contou o momento decisivo. Em 8 de março de 1914, escreveu de uma vez só a maior parte de O Guardador de Rebanhos, assinado por Alberto Caeiro.

Depois vieram Ricardo Reis e Álvaro de Campos. No entanto, como falamos mais acima, até hoje há estudos sobre suas supostas obras ainda não apontadas para o mesmo.

Alberto Caeiro

O mestre. Nasceu em 1889 e morreu jovem, em 1915. Vivia no campo, com pouca instrução. Seus poemas defendem olhar o mundo sem querer filosofar sobre ele.

Ricardo Reis

Médico e monarquista, nascido no Porto em 1887. Exilou-se no Brasil, na ficção. Escreve odes de forma clássica, com tom sereno, sobre disciplina e aceitação do destino.

Álvaro de Campos

Engenheiro naval, nascido em Tavira. Estudou em Glasgow. É a voz moderna e agitada, que passa do entusiasmo ao cansaço. É dele a “Tabacaria”.

Bernardo Soares

Ajudante de guarda-livros em Lisboa. Pessoa o chamava de semi-heterônimo, porque era “uma mutilação” da própria personalidade. É o autor do Livro do Desassossego.

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Ao todo, os pesquisadores já catalogaram mais de cem autores fictícios criados por Pessoa. Entre eles estão Alexander Search, Barão de Teive e o astrólogo Raphael Baldaya.

Quer ir mais fundo?

Veja quem foi Alberto Caeiro, quem foi Ricardo Reis e quem foi Álvaro de Campos. Vale cada segundo gasto por essas pesquisas.

Quais são as características da escrita de Fernando Pessoa?

Alguns traços aparecem em quase tudo:

  • Fragmentação do eu: a ideia de que uma pessoa é feita de muitas vozes.
  • Crise de identidade: “quem sou eu?” é pergunta constante.
  • Melancolia e filosofia: tempo, solidão, morte e sentido da vida.
  • Linguagem clara e musical: mesmo nos temas mais densos.
  • Nacionalismo místico: em Mensagem, ele sonha com um “Quinto Império” cultural.
  • Versatilidade: passa do verso livre ao soneto em inglês.

Na vida pessoal, era tímido, formal e reservado. Andava de chapéu e óculos e passava horas escrevendo em cafés e escritórios.

Quais os principais livros de Fernando Pessoa?

Em vida, Pessoa publicou poemas em revistas. Mas só um livro em português saiu com o nome dele: Mensagem, em 1934. Quase tudo o mais foi organizado depois da morte, a partir da arca.

Não existe um ranking oficial único de vendas. Estes são os títulos que mais aparecem entre os mais procurados no Brasil.

Livro do Desassossego

O mais citado nas redes. Reúne fragmentos em prosa, assinados por Bernardo Soares. Não tem enredo. É como ler o diário de alguém que observa a vida e a si mesmo.

Funciona bem aos poucos, um fragmento por dia. Podemos dizer que, é um diário querido sendo lido como um mergulho ao fundo do mar. Leitura que – sem exagero mesmo – todo mundo precisa ter lido ao menos uma vez.

Mensagem

O único livro em português publicado em vida. Tem 44 poemas, em três partes: Brasão, Mar Português e O Encoberto. Fala da história e do destino de Portugal.

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É curto e muito cobrado em prova.

Antologias de poemas escolhidos

A porta de entrada mais fácil. Reúnem os poemas mais famosos de todos os heterônimos em um volume só.

Obra poética completa

Para quem já se apaixonou e quer tudo junto. Está aí uma obra que queremos ter por aqui e falar sobre ela pelo resto de nossas vidas.

Biografia: Fernando Pessoa, uma quase autobiografia

Escrita pelo brasileiro José Paulo Cavalcanti Filho. Boa para juntar as peças da vida do poeta.

E uma dica: como a obra de Pessoa é de domínio público, há muitas edições, de várias editoras. Vale comparar notas, prefácio e tradução antes de comprar.

Quais são os poemas mais famosos de Fernando Pessoa?

Quatro poemas aparecem em quase toda conversa e em muita prova.

Autopsicografia. Poema do próprio Pessoa, de 1932. Fala do trabalho do poeta, que transforma a dor real em dor “fingida”, isto é, em arte. O verso-chave é “O poeta é um fingidor.”

Tabacaria. De Álvaro de Campos, de 1928. O eu poético olha da janela a tabacaria da rua e pensa na distância entre os sonhos enormes e a vida comum. Fala de crise de identidade e de cotidiano.

Mar Português. Poema de Mensagem. Mostra o sofrimento do povo português nas navegações e dá sentido a ele. O verso-chave é “Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena.”

Ode Triunfal. De Campos, de 1915. Celebra a máquina, a cidade e a velocidade, com versos longos e ritmo urgente.

Para estudar, uma dica simples: poema calmo e sobre ver o mundo como ele é lembra Caeiro. Forma clássica e tom sereno lembra Reis. Verso longo, urbano e agitado lembra Campos.

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Quais prêmios Fernando Pessoa ganhou?

Em vida, ele recebeu pouco. Os dois principais:

  • Queen Victoria Memorial Prize (1904): melhor ensaio em inglês, na Universidade do Cabo, ainda na adolescência.
  • Prêmio Antero de Quental (1934): concedido a Mensagem. O livro ficou na segunda categoria, por ser curto.

O verdadeiro reconhecimento veio depois. Em 1985, seus restos mortais foram levados ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde repousam grandes nomes da cultura portuguesa, como Camões.

De que Fernando Pessoa morreu?

Pessoa morreu em 30 de novembro de 1935, aos 47 anos, no Hospital de São Luís dos Franceses, em Lisboa. A causa foi uma crise hepática, geralmente associada ao consumo de álcool.

Segundo relatos, a última frase dele foi escrita em inglês:

“I know not what tomorrow will bring” (Não sei o que o amanhã trará).

Depois da morte, encontraram uma arca com mais de 25 mil documentos. Eram poemas, ensaios, cartas, planos e fragmentos. O acervo está na Biblioteca Nacional de Portugal e ainda rende livros novos.

Quem já indicou e homenageou Fernando Pessoa?

Pessoa influenciou escritores no mundo todo.

  • Harold Bloom: o crítico americano o incluiu em O Cânone Ocidental.
  • José Saramago: escreveu o romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, sobre o heterônimo.
  • Antonio Tabucchi: escreveu Os Três Últimos Dias de Fernando Pessoa e Requiem.
  • Octavio Paz: poeta mexicano e Nobel, autor de ensaios sobre a heteronímia.
  • Eduardo Lourenço: ensaísta português, um dos maiores intérpretes do poeta.
  • Poetas brasileiros: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto dialogaram com a poesia portuguesa moderna.
  • Cinema: o Filme do Desassossego, de João Botelho, adaptou o livro de Soares.

Quais são as frases e trechos mais famosos de Fernando Pessoa?

Estas são autênticas, com a fonte certa:

  • “Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena.” (Mensagem)
  • “O poeta é um fingidor.” (Autopsicografia)
  • “Não sou nada. Nunca serei nada.” (Álvaro de Campos, “Tabacaria”)
  • “Tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Álvaro de Campos, “Tabacaria”)
  • “A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta.” (Livro do Desassossego)
  • “Para ser grande, sê inteiro.” (Ricardo Reis)
  • “O mito é o nada que é tudo.” (Mensagem)
  • “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.” (Mensagem)

Atenção: Pessoa é um dos autores mais citados de forma errada na internet. Muitas frases virais não têm fonte comprovada. Se a frase não diz o livro nem o heterônimo, desconfie.

Curiosidades sobre Fernando Pessoa

Ousamos criar esse tópico, porém, sabemos que Fernando sempre sempre um ícone a saber-se mais sobre ele, mesmo já tendo partido.

  • Fez mapas astrais para os próprios heterônimos.
  • Escreveu contos policiais com o detetive Abílio Quaresma.
  • Escreveu em inglês um guia de Lisboa para turistas, publicado só em 1992.
  • Atribui-se a ele o slogan “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”, da chegada da Coca-Cola a Portugal.
  • Nunca esteve no Brasil. O heterônimo Ricardo Reis, porém, se exilou aqui.
  • Dá para visitar os cantos de Lisboa que ele frequentava. Veja o roteiro de Fernando Pessoa por Lisboa.

Perguntas frequentes sobre Fernando Pessoa

Quem foi Fernando Pessoa?

Foi um poeta português, nascido em Lisboa em 1888. É famoso pelos heterônimos e pela obra em verso e prosa.

Quantos heterônimos Fernando Pessoa teve?

Os principais são quatro: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Pesquisadores já catalogaram mais de cem autores fictícios.

Qual o livro mais famoso de Fernando Pessoa?

No Brasil, o Livro do Desassossego. Em poesia, Mensagem.

Fernando Pessoa morou no Brasil?

Não. Ele nunca esteve aqui.

Por onde começar a ler Fernando Pessoa?

Por uma antologia de poemas escolhidos. Depois, Alberto Caeiro, Mensagem e Álvaro de Campos. O Livro do Desassossego fica para ler aos poucos.

A obra de Fernando Pessoa é de domínio público?

Sim. Mas edições recentes, com notas e traduções, têm direitos próprios.

Para fechar

Pessoa não pede que você escolha uma voz só. Pede que você escute todas. Comece pela que mais chamou sua atenção, e volte quando precisar de outra.

Por aqui, arriscamos – e que acerto! – no Livro do Desassossego por frases famosinhas nas redes sociais. Porém, a profundidade desse livro não merece a fama, é pouca!

Fontes consultadas:

  • Biblioteca Nacional de Portugal (espólio de Fernando Pessoa)
  • Casa Fernando Pessoa, em Lisboa
  • Arquivo Pessoa (arquivopessoa.net)
  • Carta de Pessoa a Adolfo Casais Monteiro (13 de janeiro de 1935)
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