Resenha do livro O Grande Divórcio C. S. Lewis, escritor de Nárnia

Não pensei que fosse tão difícil escrever uma resenha do O Grande Divórcio. Depois de escolher ele como leitura, segui com a naturalidade de um leitor que ama a escrita de alguém, que no meu caso é o C. S. Lewis, claro.

Só que, depois, como sempre faço, procurei saber um pouco mais sobre o que as outras pessoas que fizeram a mesma leitura acharam sobre a obra. E sim, achei que foi um erro bem grande.

Isso porque o alarde que há rodeado das “heresias impostas” por diversos ângulos, me fez questionar sobre qual tipo de visão eu li o livro, ou deveria, ao menos.

E já começamos com um trecho, que diz:

“É isso que os mortais não compreendem. Sobre algum sofrimento passageiro, costumam dizer: nenhuma felicidade futura poderá compensar isso. Sem saber que o Céu uma vez alcançado, trabalhará de modo retroativo e transformará mesmo essa agonia em glória.”

Vamos lá.

critica-o-grande-divorcio-c-s-lewis

O Grande Divórcio é um livro excelente, sim

Ele se destaca pela imaginação vívida: o Inferno é uma cidade cinzenta e isolada, onde almas constroem casas distantes por egoísmo, contrastando com o Céu sólido e real.

Tudo gira em torno de viagens. Lewis usa personagens identificáveis para expor vícios como orgulho e apego possessivo, tornando a narrativa curiosa e piedosa.

Após pegar um ônibus e chegar lá, as pessoas descobrem que são fantasmas do Inferno, com a chance de se tornarem sólidos para entrar no Paraíso. Mas questionam seu real desejo:

  • Deixar o ego para trás? Muitas não aceitam.

Todos deveriam ler para questionar prioridades pessoais e o impacto no relacionamento com Deus, aqui e agora. Se você leu Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz, não pode perder este.

“Todo sentimento é santo quando a mão de Deus o governa. Todo sentimento se deteriora quando se estabelece por conta própria e se transforma em um falso deus.”

resumo-o-grande-divorcio

O lugar onde estão no livro O Grande Divórcio

Ali, aquelas pessoas que morreram começam a se questionar sobre o querer real de ir ao Paraíso. Só que a necessidade de deixar o que são para trás, muitas não aceitam.

“Todo sentimento é santo quando a mão de Deus o governa. Todo sentimento se deteriora quando se estabelece por conta própria e se transforma em um falso deus.”

O Encontro com George MacDonald

Após o ônibus do Inferno parar, o Narrador vaga pelo Paraíso e reencontra MacDonald, seu autor favorito, agora um “Sólido” brilhante e luminoso.

MacDonald o conduz pela paisagem celestial, explicando os dilemas morais dos fantasmas: por que rejeitam a redenção, como o orgulho intelectual ou amores idolátricos os prendem:

“Uma alma condenada não é, afinal, quase nada: é algo encolhido, trancado em si mesmo. O bem bate nos condenados incessantemente, como as ondas sonoras batem nos ouvidos dos surdos, embora eles não consigam recebê-lo. Seus punhos e dentes estão cerrados; seus olhos, bem fechados. De início, eles não desejam abrir as mãos para receber dádivas, nem a boca para serem alimentados, nem os olhos para ver. No final, já não conseguem mais.”

Ele oferece sabedoria poética sobre livre-arbítrio (“portões trancados por dentro”), a árvore da vida e o sofrimento retroativo em glória, guiando o Narrador a testemunhar conversões falhas.

resenha-o-grande-divorcio-livro

Há reflexões que todos deveriam tomar

Veja essas citações do livro O Grande Divórcio de C.S. Lewis:

“Mesmo em termos biológicos, a vida não é como um rio. Mas como árvore. Ela não se move em direção à unidade, mas para longe dela, na medida em que as criaturas se distanciam cada vez mais umas das outras ao crescerem rumo à perfeição. O bem a amadurecer, distingue-se. Cada vez mais, não apenas do mal, mas também de outras formas de bem.”

“‘Melhor reinar no inferno do que servir no céu’. Há sempre algo que insistem em manter, mesmo à custa da miséria. Há sempre algo que preferem à alegria – isto é a realidade.”

“‘Mas o que ela aí embaixo chamávamos de ‘amor’ não passava de um profundo desejo de ser amado. Em geral, meu amor não era puro; eu amava porque precisava de você.'”

Quem Lewis fez questão de citar no livro

George MacDonald (1824-1905), escritor escocês de fantasia cristã, “batizou” a imaginação de Lewis, como citou ele em Surpreendido pela Alegria, com obras como Phantastes, que comprou por acaso e A princesa e o goblin, que amava.

Apesar de universalista (crendo na salvação final de todos), Lewis o homenageia como mentor espiritual, adaptando suas ideias para enfatizar escolha eterna sem anular julgamento.

resenha-do-grande-divorcio

A polêmica sobre as supostas heresias

Se você caiu na mesma armadilha que eu, pesquisar opiniões alheias e se deparar com gritos de “heresia! heresia! heresia!”, relaxe o coração.

Muitos criticam O Grande Divórcio por sugerir chance pós-morte de salvação ou livre-arbítrio forte demais. Calvinistas veem ameaça à predestinação; outros temem universalismo disfarçado; e etc etc.

Mas Lewis é claro no prefácio: isto é fantasia alegórica, não teologia sistemática. Leia como As Crônicas de Nárnia ou Cartas de um Diabo a Seu Aprendiz, devocional vivo, não catecismo ou apostila de discipulado.

O cristianismo aqui é mero e cristocêntrico: anglicano amplo, focado em rendição total a Cristo, ecoando o Novo Testamento sem dogmas denominacionais. Vamos dividir as coisas, ok? Mas não deixe de ler.

Share

You may also like...

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *