Poema Ariel de Sylvia Plath

Ariel é um dos poemas mais poderosos de Sylvia Plath, uma cavalgada alucinante pela escuridão rumo à liberdade absoluta.

Escrito em 1962 e publicado na coletânea Ariel (1965), ele pulsa com visões de leoa divina, sangue preto e flecha suicida, revelando as profundezas da alma da autora.

Tenha a oportunidade de ler “Ariel” de Sylvia Plath logo abaixo e se encante ainda mais pelo mundo de A Redoma de Vidro.

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Ariel de Sylvia Plath

Pausa no escuro.
Depois um jorro azul impreciso
Feito de rochedos e lonjura.

Leoa divina,
Somos só uma,
Eixo de joelhos e calcanhares! – O sulco

Se abre e vai adiante, ao lado
Do arco pardo
Do pescoço que não alcanço,

Olhos de
Jabuticaba lançam anzóis
Escuros –

Sombras, respingos de um sangue preto
E espesso.
Outra coisa

Me arrasta pelo ar —
Pernas, cabeleira;
O calcanhar a descamar.

Godiva
Branca, vou me desfolhando –
Mãos mortas, dogmas mortos.

Agora sou
A espuma do trigo, o brilho do mar.
O choro da criança

Derrete na parede.
E eu sou
A flecha,

O orvalho suicida
Que se lança pronto para um
Mergulho dentro do

Olho vermelho, no caldeirão da manhã.

A versão que você leu é a tradução oficial de “Ariel” para o português, presente em Poesia Reunida de Sylvia Plath (tradução de Luciano Machado, Companhia das Letras).

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