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Resenha do livro A redoma de vidro (Sylvia Plath): um detalhe importante no final

A primeira vez que cheguei a ouvir falar de A redoma de vidro foi em uma citação de uma série. Quando procurei saber sobre, fiquei chocada sobre o quão leiga minha vida estava indo em direção aos grandes clássicos.

Assistindo Pequenos incêndios por toda parte, a Pearl chegou a citar que já tinha tinha lido o livro por puro frase. Tendo o fato reforçado mais uma vez e aplaudido pela personagem interpretada pela Reese, peguei a referência.

E claro, coloquei na lista de favoritos e ao pequeno sinal de promoção, o exemplar chegou. Posso adiantar que a leitura acabou sendo mais surpreendente do que eu esperava.

No começo, A redoma de vidro parece ser bem chato

Esther Greenwood parece mais uma jovem que está passando pela fase do amadurecimento para a vida adulta e as grandes realizações dos sonhos. Como qualquer outra pessoa, passa lá pelas fases mais densas e intensas que esses momentos carregam.

Saindo de casa para ir trabalhar em uma revista de moda super importante em Nova Iorque, os grandes desafio de se ter “a vida dos sonhos” começam a ruminar um peso que não conseguia perceber.

Aquele glamour parecia estar sendo adorável por todas as suas colegas, mas para ela mesmo, não parecia ser tão atrativo e intenso de se viver assim.

Na metade, ele parece ser mais necessário do que merece

Quando então o tão desejado sonho começa a despencar e tudo sai do seu controle, a vida que tanto sonhou é banhada por frustrações e lhe derruba na antiga casa da mãe em mais um quadro depressão intensa.

É mais que na metade do livro que você percebe como o famoso título faz sentindo em uma versão intensa de realidade. Principalmente a qual Esther viveu, que seguia bem longe dos padrões femininos da época.

A premissa o livro tem de fato uma narrativa sensacional

Quando soube mais sobre a época em que foi escrito e como a Sylvia viveu até o lançamento dessa obra, é nítido que esse romance esclarece muitas coisas que nunca foram ditas pela autora.

Com a criação de sua protagonista, ela consegue passar a realidade densa de uma pessoa que tanto de esforça para ser brilhante o tempo todo.

A visão das amigas da Esther no livro e de todo o seu passado, exprime um tipo de tristeza que só quem a sente consegue saber o que é. Talvez, nem mesmo tentando explicar – como muito tentava fazer – de forma simples, poderia ter sucesso em passar isso.

A dura realidade da vida de Plath torna o livro ainda mais comovente

Nem de longe eu seria feminista. Mas essa obra conseguiu me ganhar. Nitidamente, sabemos que a Esther é traçada pelos próprios passos da autora.

Sylvia Plath merece mesmo o reconhecimento com A redoma de vidro de um jeito singular. Ainda que tenha morrido semanas depois do seu lançamento, seu relato é mais atual do que podemos descrever.

Alerta de gatilho?

O livro não fala apenas de um momento em que precisa ser superado. Não é apenas a fase difícil do amadurecimento. Em determinados momentos, a exaustão vivida por Esther por ser até mesmo um gatilho para muita gente.

A redoma de vidro pode ser uma leitura considerada muito intensa para quem entende o que é passar por situações similares.

A profunda tristeza relatada por Sylvia em relação às decepções vividas por Esther, podem ser gatilhos para quem sabe como é bastante doloroso passar por tudo isso.

Amanda Ferraz

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