Soneto de devoção de Vinicius de Moraes
No Soneto de Devoção, Vinicius de Moraes adere às propostas modernistas com vocabulário cotidiano e erotismo direto, típico da segunda geração (1930-1940).
Aqui, a mulher “fria e lúbrica” se arremessa em braços famintos, misturando desejo visceral, melancolia e ironia urbana, uma devoção selvagem que pulsa em alexandrinos acessíveis.
Nascido em 1913 e ícone do Modernismo brasileiro, ele revolucionou o soneto ao trocar o preciosismo parnasiano por uma sensualidade crua e popular.

Imagens: unsplash
Soneto de devoção do Vinicius de Moraes
Essa mulher que se arremessa, fria
E lúbrica em meus braços, e nos seios
Me arrebata e me beija e balbucia
Versos, votos de amor e nomes feios.
Essa mulher, flor de melancolia Que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas a quem dei
Os carinhos que nunca a outra daria.
Essa mulher que a cada amor proclama A miséria e a grandeza de quem ama
E guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! – uma cadela
Talvez… — mas na moldura de uma cama
Nunca mulher nenhuma foi tão bela!
(Poesia completa e prosa)

