Livro Diorama de Carol Bensimon é sua próxima leitura
“Diorama” mistura taxidermia, política e um crime real que marcou Porto Alegre. A combinação surpreende, mas funciona.
Carol Bensimon usa esses elementos para contar uma história de família, segredo e sobrevivência emocional. O livro chegou às livrarias em 2022, o primeiro romance da autora depois de vencer o Jabuti.
Reuni aqui as perguntas mais comuns sobre a obra. Vamos direto ao ponto: quem escreveu, do que se trata e o que há de real por trás da ficção.

Quem é Carol Bensimon?
Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982, e hoje é uma das vozes mais respeitadas da literatura brasileira contemporânea.
Ela estreou com “Pó de Parede”, finalista do Prêmio Açorianos de Literatura. Depois vieram “Sinuca Embaixo D’Água”, “Todos Nós Adorávamos Caubóis” e “Uma Estranha na Cidade”, consolidando sua carreira ano após ano.
Em 2017, ela venceu o Prêmio Jabuti de melhor romance com “O Clube dos Jardineiros de Fumaça”. “Diorama” chegou cinco anos depois, como seu retorno ao romance após esse reconhecimento.
Bensimon também escreve para jornais e revistas brasileiras, trabalha com tradução e é mestre em escrita criativa pela PUC-RS.
Resumo do livro
“Diorama” é narrado por Cecília Matzenbacher, filha de Raul, um deputado gaúcho acusado de matar um colega de parlamento nos anos 1980.

O livro alterna entre duas linhas de tempo. Uma acompanha Cecília adulta, tentando reconstruir a vida nos Estados Unidos, longe do peso do sobrenome da família.
A outra volta à infância dela em Porto Alegre, no exato momento em que o crime abala a cidade.
Aos poucos, o leitor entende os detalhes do assassinato através de múltiplas vozes: testemunhas, familiares e a própria memória fragmentada de Cecília.
Além do crime, o livro acompanha o trabalho de Cecília como taxidermista, restaurando animais para um museu de história natural. Essa profissão dá nome ao livro e vira metáfora central da história.
A narrativa também explora um relacionamento amoroso que Cecília precisa manter em segredo, por causa do preconceito da época.
Diorama é baseado em uma história real?
Sim. Carol Bensimon se inspirou no chamado “Caso Daudt”, crime que ficou famoso no Rio Grande do Sul.

Na vida real, o deputado José Antônio Daudt foi assassinado a tiros. O principal suspeito foi outro deputado e médico, Antônio Dexheimer, supostamente motivado por um caso de traição conjugal.
O crime prescreveu com o tempo, e o réu acabou absolvido por falta de provas. Bensimon usa esse caso real como ponto de partida, mas constrói a ficção a partir da perspectiva de uma personagem inventada: a filha do acusado.
Por que o livro se chama Diorama?
Um diorama é uma cena montada em miniatura. Comum em museus de história natural, é usada para recriar como viviam animais e ambientes de outras épocas.
Cecília trabalha justamente restaurando esse tipo de cena. O que conecta seu ofício ao próprio ato de reconstruir, peça por peça, a memória do crime que marcou sua família.
O título funciona como metáfora dupla: tanto para o trabalho da protagonista quanto para a forma como o livro reconstrói fragmentos do passado até formar um quadro completo.

Vale a pena ler Diorama?
Vale, principalmente para quem gosta de literatura brasileira contemporânea que mistura memória, família e crime real sem cair no sensacionalismo.
A prosa de Bensimon é descrita como cinematográfica e enxuta, sem excesso de adornos, o que mantém o ritmo envolvente mesmo com a estrutura fragmentada entre passado e presente.
É também uma boa escolha para quem busca ficção brasileira recente premiada, escrita por uma autora que já provou seu talento antes mesmo desse romance.

